Amor sob outra perspectiva

Eu me mudei com meu noivo para nosso apartamento tem pouco mais de seis meses, e graças a Deus, meu noivo é uma ótima pessoa, e como estamos há onze anos juntos, é meio difícil dizer que eu esperasse menos dele. Mas o assunto de hoje não tem a ver com ele e sim com pais.

Eu recordo que quando anunciamos a data para a nossa mudança de casa, meus pais ficaram levemente em choque, mesmo já vendo todas as movimentações que estávamos fazendo há dois anos, desde que compramos o apê e iniciamos a reforma. A princípio, ficaram receosos com aquele “mas já?” sendo que eles, com a mesma idade que tenho hoje, já eram casados e com um filho de dez anos.

Mudança feita e com muita ajuda do meu pai, principalmente pelo fato dele ser aposentado, dirigir e minha mamãe dar todo suporte ficando com o Israel, meu irmão deficiente.

Agora que nos vemos com menos frequência, é engraçado como eu consigo “perceber” o amor deles. Não é que antes eu não sentia, mas é que era algo tão comum, normal, constante, diário vê-los todos os dias, que pequenos momentos passavam despercebidos, tanto para mim, quanto para eles, imagino eu. Agora, todas as vezes que anuncio que irei visitá-los, sou recebida aos abraços, algo que não fazíamos muito quando ainda morava com eles. Eles me rodeiam o tempo todo e eu também rodeio eles o tempo todo, para que, de fato, ao visitá-los, possamos ficar o máximo de tempo juntos. Minha mãe e eu saímos pra tomar sorvete, ir ao supermercado, comprar coisinhas mequetrefes na Americanas que tem perto da casa deles.. coisinhas que a gente não fazia tanto quando ainda morávamos juntas.

Eu não acredito que tenha sido alguma falha, ou minha ou deles. É novo pra eles o fato de ter uma filha que não mora mais na casa deles e é novo para mim não ter meus pais mais comigo. Sabe, meus pais sempre terão minha colher de chá. Eu tenho muito claro que é tudo novo pra eles, mesmo eles sendo pessoas mais experientes de vida que eu. Não consigo culpá-los e também não consigo me culpar, a vida aconteceu dessa maneira do pouco contato.

Mas agora, consigo sentir que somos bem mais conversadores (de “conversá”) do que quando ainda morava com eles. É até engraçado. E é isso que me pega um pouco: a escassez de algo faz a gente realmente valorizar pequenas coisinhas, sabe? Eu valorizo cada almoço juntos, eu valorizo cada risada juntos, eu evito qualquer conversa amarela que possa aparecer, eu dou todos os abraços que é possível dar e os visito com o máximo de frequência que consigo.

Talvez exista algo de muito verdadeiro nisso tudo: a escassez muda completamente a forma como enxergamos o que antes era comum. Sêneca, um filósofo estoico, já dizia que: não é a vida que é curta, mas a forma como a gente não percebe o valor do tempo enquanto parece que vai durar para sempre. A ausência, de certa forma, ensina a gente a estar presente e querer sempre estar por perto.

É bom demais olhar para os meus pais e ver que a única coisa que eles esperam de mim é amor, presença, consideração, porque eu sei que tudo que eu tenho deles é exatamente isso. Esse textinho faço com o coração quentinho após um domingo de Páscoa, onde passamos um pouco do almoço com meus pais e depois fomos à casa dos pais do meu noivo, onde celebramos a oportunidade de estar junto com nossas famílias.

Aos papais, amo vocês ♥