Quem não sonha, não é mesmo? Quem não faz planos, tem ideias brilhantes e quer contar para o mundo os passos que estão por vir?
Recentemente, me deparei com um capítulo de um livro chamado “O ego é seu inimigo”. Já foi lido por mim algumas vezes, e sinto muito claro em minha mente que ele se lê todas as vezes que me sinto surpresa perante as adversidades da vida.
Desta vez, a coisa foi tão forte que decidi relê-lo. Grifei e fiz ele ecoar em minha mente profundamente — de uma maneira que nunca o tive. Pois bem, falemos deste capítulo. Adianto que aqui trarei minhas interpretações.
A necessidade de falar, comunicar, expressar é algo tão primitivo que as pinturas rupestres no campo sem isso… não. Diante de um novo desafio, um trabalho mais difícil, uma tarefa ousada, temos a incerteza de recurso ao nosso lado.
Para tentarmos ganhar um bocado de confiança perante a incerteza evitada, é muito possível que estejamos maturando nossas atitudes para “Deus e o mundo”, seja para ganhar uma validação, aprovação, conselho, visões sobre o agir, maneiras de executar. Falamos, botamos para fora, porque é incrivelmente tentador substituir a ação por palavras e alarde.
Søren Kierkegaard foi um pensador da filosofia ocidental, considerado o pai da existência. Para ele, (que teve grandes estudos voltados à alma, liberdade, vaidade do ego, e íntimo do ser humano), nós, seres mentais, vivemos constantemente entre o desespero e a possibilidade de enfrentá-lo em silêncio.
O que isso tudo nos diz?
O ato de falar, principalmente quando estamos em início ou perante o desafio, rouba a nova energia que deveria estar canalizada para a execução diante de tais projetos.
Para o nosso querido filósofo, o ato de falar nos dá doses de prazer, e ele evidencia que as coisas já estão em execução quando, na verdade, nada fora feito.
Falar reduz o esforço para fazer acontecer. Na psicologia, isso é entendido como “satisfação absoluta”.
É óbvio que sonhar, enxergar o sucesso de projetos, visualizar a vitória diante de impérios, é importante — mas a nossa idealização pode confundir o viso com o real progresso.
Você com certeza já passou por uma situação e, muito tempo depois, teve uma resposta aí dentro, não muito boa para aquele momento, não é mesmo?
Por exemplo: você estava em uma discussão no calor das emoções, não pensou direito. Algum tempo depois, no meio do banho, do mais absoluto nada, você teve uma resposta perfeita para aquela situação.
É que o silêncio trabalhou ao seu favor e a resposta ideal apareceu para você.
Fazer o que precisa ser feito é uma constante batalha — é chato, cansativo, desanimador. Mas a verdadeira alegria será encontrada quando vir tudo o que está realmente acontecendo.
O silêncio é tido como um vazio e, geralmente, a nossa fala vem para preenchê-lo e evitá-lo.
E você, anda buscando o alívio de falar ou encara a luta do silêncio como teu aliado?
Pode ser que, sem pensar, você esteja saciando a ansiedade do agir com o conforto e o falso prazer causado pela fala.
