Diariamente nos deparamos com influenciadores que compartilham suas vidas nas redes sociais, e está tudo bem, cada um compartilha o que sente vontade, não é mesmo?

Em alguns casos, o estilo lifestyle é propagado de uma maneira um tanto quanto estereotipada: acordar super cedo, ter aquele momento de reflexão, cafezinho lindo e treinos maravilhosos, frases motivacionais, corpo “X” e vida cuidada, idealizada, que traz a ideia de perfeição, produtividade, beleza e riqueza fosse a realidade de todos.

De acordo com o site DataReportal, uma plataforma especializada em análises e relatórios sobre o cenário digital global, o Brasil tem mais de 67% da população ativa nas redes sociais no início deste ano, ou seja, mais de 144 milhões de pessoas ativas nas redes em 2025.

Quando o lifestyle é propagado com a intenção de divulgar perfeição, as coisas se perdem. A principal razão?

Grande parte da população não provém de famílias ricas, sendo essas pessoas obrigadas a acordar cedo não para meditar, mas sim, tomar o ônibus para o trabalho.

Grande parte da população não consegue dispor de tempo ou recursos para praticar alguma atividade física. Aí você me questiona: “Caminhar na rua é de graça.” Concordo. Mas a exaustão do dia já engole qualquer possibilidade da prática de atividade física. A pessoa precisa querer muito, 3x mais.

Você vai rir, eu sei, mas às vezes até me questiono:
“Essa bonita não trabalha, não?”

E onde mora o perigo em tudo isso?
Bom, as pessoas que propagam a vida perfeita podem não ter, lá no fundo, essa vida perfeita — e tudo, na verdade, pode ser só um personagem criado para gerar likes e engajamento.

Isócrates, um filósofo grego contemporâneo de Platão, traz um ensinamento valioso sobre aparências:
“Esforça-te por seres melhor, não por parecer melhor.”

A questão aqui não é “odiamos quem compartilha nas redes a sua vida”, não é isso. O “x” da questão é que muitas pessoas inventam que têm a vida perfeita APENAS para conseguir likes, e é aqui que mora o problema. Se a pessoa tem todas as condições e conseguiu, de verdade, ter essa vida bonita, a gente fica até feliz: “Poxa, essa aí venceu.” Mas o ruim é quando a foto e a rotina linda compartilhada é apenas um mecanismo de conseguir likes.

Em frente das telas, o personagem criado por alguém que não tem essa realidade “perfeita” está cada vez mais desconectado com o seu verdadeiro eu e, após algum tempo, temos uma pessoa super angustiada, se cobrando por mais, e não conseguindo manter em pé o teatro que criou.

Isócrates nos leva a pensar em não viver para impressionar, mas para merecer respeito — e, principalmente, estar com a mente tranquila, porque somos nós que vivemos com nossos pensamentos.

A pessoa que atua nas redes sociais divulgando algo não verdadeiro, que tenta mostrar, sei lá, uma vida perfeita, se desconecta de si e se sente cada vez mais insuficiente, causando ansiedade, insegurança e apenas fica feliz com a validação dos outros, quando na verdade, a verdadeira alegria só está em ter uma mente tranquila sobre você mesmo.

O deslize que as redes sociais “impõem” está no viver para impressionar, a positividade exagerada, a perfeição inexistente.

E como devemos, então, agir e não consumir esse tipo de conteúdo?
Reduza o consumo de perfis que pregam essa beleza e perfeição inalcançável, tenha em suas redes perfis que compartilham processos, imperfeições, conteúdos que constroem e não apenas aquilo que ostentam.

Sêneca uma vez disse: “Felicidade não depende de aplauso.” E nem likes.

Se você puder, compartilhe sua vida sendo como um espelho dos seus valores e não vitrine de perfeição. Seja útil, humano de verdade. Cuide da sua mente e do seu feed. Organize, limpe e silencie o que possa te causar alvoroço.

Em resumo: viva de dentro para fora.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *